domingo, 22 de setembro de 1996

1ª Fase CB - Internacional 1 x 2 Grêmio (22/09/1996)


Um clássico que entrou para a história em virtude do golaço de bicicleta de Paulo Nunes no início da partida.

Grêmio e Inter vinham tendo trajetórias parecidas na competição até aquele momento. O tricolor era o 11º colocado, com 13 pontos em 8 jogos. Já o co-irmão ocupava a 12º posição (12 pontos em 9 jogos).

Durante a semana Grenal, a direção colorada pediu (e levou) árbitro de fora do estado, reclamou da violência do time do Grêmio e da escolha dos bandeirinhas. No Olímpico, as atenções eram divididas com a estreia do clube na Supercopa, com uniforme novo, onde vencia por 3x1 e cedeu o empate em 3x3 para o Velez de Chilavert.

A Zero Hora tratou o jogo como a reedição do Grenal Farroupilha, disputado no mesmo 22 de setembro, em 1935. O Correio do Povo chamava a atenção para a possibilidade de se inverter a "gangorra".

O resultado final já é do conhecimento de todos. A partir dali, o Grêmio encaminhou sua classificação e a conquista do título do torneio. No Beira-Rio, Nelsinho Batista deixou o clube poucos dias depois, indo treinar o Corinthians.

Um detalhe pouco lembrado é que, ainda no primeiro tempo, Dinho foi bater um escanteio e levou uma pedrada no queixo (é possível ver o curativo em algumas das fotos).


Com Danrlei fazendo grandes defesas e com um excelente índice de aproveitamento nos chutes a gol, o Grémio venceu o Inter por 2 a 1, ontem à tarde, no Beira-Rio, no GreNal em que teve tudo para perder, O Inter foi melhor, mas caiu diante da frieza de seu adversário implacável como um assassino de aluguel.

Agora, o Grêmio segue firme no Brasileiro, enquanto o Inter praticamente se afasta da próxima fase.
A história do clássico, que proporcionou a maior renda da competição até o momento, começou com o gol magnifico de Paulo Nunes, logo aos 5 minutos, Arce cobrou escanteio da esquerda, a bola foi desviada e sobrou para o atacante, que bateu de bicicleta, surpreendendo André.

Com o gol, o Grémio assumiu o controle da partida. A partir dos 18 minutos, já com Luís Gustavo no lugar de Enciso, o Inter cresceu, equilibrando a disputa e pressionando em busca do empate. Aos 20, Leandro foi lançado, mas a arbitragem, equivocadamente, marcou impedimento. Aos 37, Danrlei fez sua primeira defesa, ao salvar num chute de Arilson. 


No segundo tempo, o Inter voltou ainda melhor. Aos 7, a recompensa, Murilo recebeu de Luís Gustavo e bateu forte na saída do goleiro. Aos 10 e aos 15, Danrlei salvou o time, em conclusões de Leandro e Marcelo. Quando o Inter pressionava. Dinho, batendo falta, marcou 2 a 1. Eram 21 minutos e o Grémio reassumia o controle do jogo. Nos minutos finais, o Inter foi para cima e só não marcou graças a Danrlei. (Correio do Povo)



"O goleiro André, ao comentar os gols sofridos, disse que no primeiro, marcado por Paulo Nunes, houve um desvio da bola no escanteio cobrado por Arce na esquerda. "A bola foi para o segundo pau e não deu tempo para eu chegar" (Renato Dornelles - Zero Hora - 23 de setembro de 1996)

"Paulo Nunes contou que, quando a bola chegou até ele, sentiu que o lance era seu, apesar de Adílson gritar, atrás: "Eu, eu, eu!"" Então saltou com os dois pés e atingiu a bola em cheio com o pé direito." (Zero Hora - 24 de setembro de 1996)

"Conversando com Jardel, pela Gaúcha, Paulo Nunes foi traído pela euforia e, por alguns segundos, esquece a elegância, garantindo que "o mais bonito mesmo, foi calar a boca da torcida do Inter" (Wianey Carlet - Zero Hora - 23 de setembro de 1996)

"Depois do jogo, em meio a festa no vestiário, Paulo Nunes conversou com outro craque, seu ex-companheiro de ataque Jardel. Via Rádio Gaúcha, o atacante do Porto brincou com o estilo dos gols de Paulo Nunes, segundo Jardel "de canela". "Aqui faço gol de tudo o que é jeito, até de bicicleta para calar a boca da torcida do Inter", ironizou o jogador gremista. Coisa de craque." (Eduardo Tessler - Zero Hora - 23 de setembro de 1996)

"Contido durante toda a semana, Luiz Carlos Silveira Martins desabafou fortemente após o clássico. "Violento é o chute do Dinho", ironizou o vice de futebol do Grêmio, referindo-se às queixas do Internacional quanto ao comportamento dos jogadores do Grêmio." (Correio do Povo - 23 de setembro de 1996)




Internacional 1 x 2 Grêmio


INTERNACIONAL: André, César Prates, Tonhão, Gamarra e Arílson; Fernando, Enciso (Luis Gustavo), Marcelo e Murilo (Yan); Fabiano (Fabinho) e Leandro.
Técnico: Nelsinho Batista

GRÊMIO: Danrlei, Arce, Luciano, Adílson e Roger; Dinho, Goiano, Aílton (Emerson) e Carlos Miguel; Paulo Nunes (João Antônio) e Saulo (Zé Alcino).
Técnico: Luís Felipe Scolari

11ª Rodada - Primeira Fase - Campeonato Brasileiro 1996
Data: 22/09/96, domingo, 16h00min
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre - RS
Público: 47.172 (39.621 pagantes)
Renda: R$ 491.200,00
Juiz: Carlos Elias Pimentel (RJ)
Auxiliares: Adriano Sajonc (RS) e José Carlos Oliveira (RS)
Cartão Amarelo: Leandro, Arílson, Adílson e Arce
Cartão Vermelho: Carlos Miguel
Gols: Paulo Nunes aos 5 do 1° tempo; Murilo aos 7 e Dinho aos 21 minutos do 2° tempo





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